RAÍZES DO BRASIL

Desde os primeiros anos da infância, é comum meninas e meninos serem apresentados àquilo que não se parece com eles mesmo.  Nessa variedade, há um padrão que difere das características de uma parcela da sociedade brasileira:pele rosada, cabelos dourados, olhos cor de céu em dia de sol e o modo de vida dessa gente.  Coisa que nada tem que ver com a pele avermelhada e pintada, cabelos grossos e lisos, olhos escuros e repuxados dos indígenas do pico doJaraguá. Muito menos com os cabelos enrolados que se combinam com a pele escura que cobre narizes largos e lábios grossos que os quilombolas do Cafundóconhecem.

Antes de dividir as pessoas em grupos étnicos-culturais,é preciso lembrar que todos fazemparte de uma só raça, a humana.

 A psicanalista e mestre em psicologia Rita Martins, explica que as pessoas afirmam sua identidade por meio da filiação social. Daí vem a importância de pertencer a grupos. “A cultura é transmitida de geração para geração. Revela uma linguagem coletiva repleta de crenças e valores, que determina padrões de comportamento socialmente aceitáveis”, expõe.

Mesmo sem ter nascido em uma aldeia e sem ter nome Tupi, a figura de Lílian de Souza logo denuncia sua ascendência parental. A universitária que é neta de “índia pura” aprendeu a nunca comer sozinha, costume do povo do qual descende. “A história da tribo que sou descendente é uma história de escravagismo. Eles sofreram bastante violência da parte dos homens brancos. Então, um costume que é muito marcado é o da união”, comenta e relembra aliviada.

Uma vez fora de sua cidade natal e longe da tribo da qual descende, a estudante aprendeu a odiar e amar sua cultura, respectivamente. “Não gostava que me chamassem de ‘índia’, porque via que as pessoas relacionavam esse nome a sujeitos que não são civilizados, iletrados, sem cultura e literalmente ‘do mato’”, lamenta.

Rita argumenta que a identidade adquire contornos por meio de características de personalidade, estilo de vida, da linguagem e dos sistemas simbólicos que representam o modo de ver o mundo e as ações. “Afirmamos nossa identidade, por meio da filiação social, podendo ser o grupo de aspiração (aquele que não pertenço, mas adoraria pertencer) ou rejeição (pertenço, mas não aceito, não quero) ”, esclarece. Deste modo, o comportamento é orientado para receber a aprovação desse grupo e ter o passaporte de entrada carimbado. “A partir daí, rotular é natural. Na verdade, rotulamos tudo: sentimentos, amizades, relações, absolutamente tudo”, acrescenta.

“Entendi que não posso ter vergonha do que realmente sou. Hoje tenho orgulho de dizer que possuo sangue indígena”, reconhece a universitária. E como velhos costumes nunca morrem, mesmo morando no estado de São Paulo, Lílian sempre procura se juntar com o máximo de pessoas fazer as refeições, poissuas tradições formaram quem ela é hoje.

Fonte: https://terradegigantessp.wixsite.com/piweb

Sobre o Autor

Psicanalista, Mestre em Psicologia pela UGF e Pós-Graduada em em Pesquisa de Opinião na UERJ. É gestora da Domínio Conhecimento Pessoal e docente convidada da FGV e Puc para cursos In Company.

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